sábado, 29 de agosto de 2009

Contos e Recontos: A princesa e o bobo da corte cap 2

- Entre

Ouviu a voz seca e cortante ressoar pelas paredes da caverna que estava, vestia roupas nobres, com fios de ouro visíveis em certos pontos, roupa bonita com detalhes marrons, verde e cinza, seu cinto ostentava uma bainha trabalhada e polida, onde o cabo de uma espada com jóias encrustadas mostrava-se imponente e linda junto a ela, via se mais jovem, mas nem tanto, mas sério e comprenetado, via-se um lorde, que com graça e dignidade adentrava na rústica caverna de onde ouvira a voz

- Meu nome é...

- Eu sei seu nome milorde, sua graça antecede sua chegada, seus feitos são conhecidos e sua magnitude adorada por todo o vosso reino, sua fama de sabedoria, bondade e generosidade lhe precedem, o que lhe traz ao lar deste humilde servo de suas rebuscadas vontades?

Um corcunda falava com o nobre, dentro da caverna um ser encurvado e enrugado andava de um lado pro outro enquanto falava, a caverna continha vários buracos de vários tamanhos em suas paredes, aonde era possível ver vários frascos de cores e viscosidades diferentes, um buraco maior ficava no teto da caverna, feito para que a fumaça criada na preparação dos unguentos e poções tivessem um lugar pra escapar, no vilarejo próximo, pessoas viam fumaças das mais variadas cores sair daquele lugar, alguns achavam-no amaldiçoado, outros eram agradecidos. Era conhecido que o corcunda poderia conseguir-lhe o que seu coração mais desejava... por um pagamento justo que ele decidisse ser justo.

- Procuro por algo, coisa que só eu posso fazer, e não quero que a missão seja facilitada pelo meu status social, quero andar incógnito pelo mundo, pode me ajudar nessa questão?

O nobre tinha uma fala mansa, calma e que passava retidão, uma ordem vinda daquela voz era um convite para que a ação fosse feita o mais rápido e da melhor forma possível

O corcunda olhou o nobre a sua frente pensativo por um instante, chegou a abrir a boca, prestes a proferir uma pergunta, mas calou-se, seus dedos crisparam-se em sua boca, e voltara a movimentar seus afazeses sobre o caldeirão em meio as chamas onde trabalhava

- Sua grandiosa sabedoria o trouxe ao lugar certo meu nobre

Correndo atarefado o Corcunda correu até a parede da caverna, percorria com os olhos, as vezes com as mãos as inúmeras reentrâncias da cavernas, todos os buracos continham pelo menos um frasco, sem rótulo, sem indicação, apenas seu material, tão precioso ao corcunda quanto um filho a uma mãe

- Achei, exatamente isso que vc precisa

Um pequeno frasco, com um líquido verde viscoso era mostrado ao nobre com tamanho cuidado e apreço

- Esse é de uma raridade sem igual, ao tomar essa poção sua memória atual será armazenada e organizada. Suas habilidades inatas continuarão em pleno funcionamento, sua mente ficará intacta, apenas as memórias ficarão lacradas, e o selo das memórias pode ser definido por vc ao tomar, basta pensar no engate que lhe trará a memória novamente enquanto bebe a poção. E o melhor, as pessoas olharão pra você, e não lhe reconhecerão. Não que sua aparência vá mudar, mas apenas a imagem que terão de você será diferente, terá uma idêntidade totalmente diferente, será totalmente incógnito

O Corcunda falava com um ânimo imenso, quase em êxtase de pura animação, segurava trêmulo a poção, diante o poder maravilhoso e assustador que guardava, voltara-se para o nobre com uma expressão de puro orgulho no rosto

- Para o senhor, exemplar único, o custo será todos os seus pertences

O lorde pegara o frasco, analisara o conteúdo por um tempo, tirara a tampa da poção

- Como você consegue se organizar tendo tantas poções?

Olhava curioso para o corcunda, que continuava com o sorriso no rosto

- Faz parte do ofício majestade

- Apenas pensar no engate que a memória volte né??

Sem esperar resposta, falando mais pra si que para o velho corcunda o nobre virara a poção e tomara de um gole só, sentia o líquido viscoso e de sabor forte lhe descer pela garganta, lhe dando enjoo e uma pancada forte no estômago

- Se me permite a pergunta milorde, qual seria a busca da qual o senhor falava

- Desculpe-me - Falava o nobre em meio a tosse, seu corpo arriara, sua visão escurecia - mas não consigo me lembrar

Um sorriso macabro foi a última coisa que passou por sua visão antes de seu mundo escurecer, acordara em sua cama, em um pequeno quarto de pedra bem cuidada, assustara-se com o sonho, ou seria uma lembrança? Se peguntava enquanto cambaleava até a tina de água em cima do cômodo na parede oposta ao seu leito, lavava um pouco o rosto e forçava a se lembrar, mas o sonho já esmaecia em sua mente, não lembrava dos detalhes, e aos poucos não lembrava do sonho, voltara pra cama e dormira, e dessa vez, dormiu em paz.

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