"Nasci no distrito de Nordfriesland no estado de Schleswig-Holstein, na parte mais ao norte da Alemanha. Sou filho de Hans Vol'Stants e Valéria Ibratelluv, sempre fui um garoto exemplar.
Alegre, extrovertido, e hiperativo. Desde novo demonstrava aptidão para lidar com computadores e coisas elétricas, coisa que seus pais estimulavam. Aos 8 anos, minha família se mudou para Berlim, uma cidade bem mais ativa que o local anterior. E eu gostava disso, gostava da multidão.
Tinha um talento inato para cativar pessoas e animais. Aos 10 anos, fui matriculado num colégio interno, onde saia aos fins de semana. A escola era bem grande, mas eu não suportava ficar parado. Queria sair, sentia necessidade disso.
Nos momentos de folga, praticava alguns esportes como o Bobsleigh (a escola era conhecida por ser um dos pólos de treinamento para as Olimpíadas de Inverno) e o Snowboard (minha maior paixão), assim como alguns treinos de luta ocasional.
No mês retrasado, no dia 15, ganhei o torneio de Snowboard nas Olimpíadas entre escolas do país. Fora meu momento de maior orgulho, mas também fora um momento cruel.
Na mesma noite da minha vitória, após a comemoração (que fora realizada num restaurante no centro de Berlin), um dos oponentes, acompanhado de um pequeno grupo, apareceu no meio da estacionamento, dizendo que a corrida tinha sido uma farsa, e que ele fora o verdadeiro vencedor. Foram feitas algumas brincadeiras a respeito, e convidamos os indivíduos a participar conosco, afinal o segundo lugar também era uma grande conquista.
O desgraçado não aceitou tal coisa, e sacou um revólver, disparando 3 vezes. Acertando meu pai. Arregalei os olhos, e o sangue subiu. Parti pra cima dele, de peito aberto, os outros que estavam com ele me pararam (até agora me pergunto porque ele não ter atirado), me bateram, mas não importava, meu pai estava ali no chão.
Minha mãe implorava pra ele parar. Ele deu uma bofetada nela. O cara tinha perdido a razão, ficara louco, queria descontar.
Deu um tiro em minha mãe...aquilo foi...foi...ela caindo, olhando pra mim, meus olhos se encheram de lágrimas...ela caiu, e ele deu mais um tiro - O peito aperta, a garganta arranha, os músculos puxam.
"Você verá, toda a frustração que senti, tanto tempo treinando pra um simples borra-botas como você me ganhar. Eu perdi muito dinheiro naquela droga de corrida. Eu senti o gosto amargo da derrota, e você sentirá o gosto da perda."
Meu pai grunhiu algo, ELE AINDA ESTAVA VIVO!
Meu algoz riu, apontou a arma para a cabeça dele, olhou para mim, e atirou.
Não, Não, Nãoo - tentei falar, mas nada saiu senão um grunhido.
Os dedos apertaram, me retorci...não me lembro direito, desculpe mas não me lembro o que aconteceu após isso, senhor Detetive. Eu desmaiei. E levantei em frente aquele hospital."
- Entendo - disse o Detetive, com bigodes espessos bem castanhos. - Seus pais, também estavam no mesmo hospital que você. O estado de sua mãe é grave, mas seu pai não resistiu. Sinto muito, rapaz.
- Senhor, quando pegar esses miseráveis, pode por favor me avisar?
- O farei filho, seu depoimento está tomado e colocaremos os responsáveis por isso na cadeia. - concluiu o Detetive Walter Crtlaltenter
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Hrodrick, contou quase toda sua historia de vida ao detetive. O garoto de 15 anos, presenciara algo que certamente deixaria muitas pessoas malucas, se a vida dele fosse um filme, talvez colocasse alguma roupa preta e cueca por cima da calça. Mas sua vida era outro tipo de filme.
Seus pensamentos voltaram praquela noite. Reviu toda a cena...e lembrou de como foi, de verdade...
Tentou falar, mas o que saiu não foram palavras, foi um uivo. Sentiu seus músculos esticando e a pele rasgando, puxando. Sentia a respiração dos seus oponentes. Sua visão turvava, subia a cabeça e viu a Lua...Meia Lua. Apertou-se contra o corpo e foi doloroso. Garras crescendo, os sapatos e roupas estourando. Seu corpo fervia.
Só um pensamento na cabeça, mais que raiva, era ódio, era Fúria.
O cara tinha perdido a razão, ficara louco, queria descontar. Eu fiquei em Fúria, Queria Vingança. Eu senti o gosto da perda, ele sentiria o gosto do Sangue.